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José Cardoso Pires

Teoksen Ballad of Dogs' Beach: Dossier of a Crime tekijä

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De profundis, valsa lenta (1997) 73 kappaletta
Kruununperijä (1968) 72 kappaletta
Alexandra Alpha (1988) 29 kappaletta
A República dos Corvos (1989) 27 kappaletta
Jogos de Azar (1993) 21 kappaletta
O Hóspede de Job (1967) 19 kappaletta
O Anjo Ancorado (1990) 18 kappaletta
Dinossauro Excelentíssimo (1972) 17 kappaletta
O Burro-Em-Pé (1997) 14 kappaletta
Cartilha do Marialva (1970) 11 kappaletta
Lisboa Livro de Bordo (1997) 7 kappaletta
A Cavalo no Diabo (1994) 6 kappaletta
Histórias De Amor (2008) 6 kappaletta
Lavagante (2008) 4 kappaletta
O render dos heróis (1978) 3 kappaletta
De Profundis, Valsa Lenta (1998) 3 kappaletta
O Hóspede de Job (2011) 2 kappaletta
Celeste & Làlinha (1997) 2 kappaletta
Dinossauro Excelentíssimo (2016) 2 kappaletta
E agora, José? 2 kappaletta
Viagem à ilha de Satanás (1997) 2 kappaletta
Literatura (2005) 1 kappale
Lisboa 1997 1 kappale
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Gli scarafaggi (2005) 1 kappale
O render dos heri̤s (2001) 1 kappale
Dispersos 1 kappale
El delfí (2008) 1 kappale
ALEXANDRA ALFA 1 kappale

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“Diante do baralho, mas sem mexerem uma carta, os camponeses conferenciam no tom dos conspiradores em segredo. Não falam dos guardas porque já venceram a realidade que eles são. Discutem, para longe dessas presenças e desses cavalos, o futuro de Cimadas – isto é, um balde, um largo com vida, aquilo que tem de permanecer.”


Coloca José Cardoso Pires, simbolicamente, na figura de um balde a preocupação de um grupo de homens imóveis sentados à volta de um baralho de cartas. Lá fora, guardas dão de beber aos cavalos no poço. Os homens, dentro de uma taberna e de costas para esta cena, sentem isto como uma afronta.

Esta é uma das disputas que se passa dentro de O Hóspede de Job, livro escrito pelo autor, entre Março de 1953 e Maio de 1954, em memória do seu irmão mais novo, morto em consequência de um acidente de aviação enquanto cumpria o serviço militar, em 1953. A obra seria editada pela primeira em 1963.

O Hóspede de Job remete-nos para o Alentejo dos anos 50. Lá, o cabo ferreiro Três-Dezasseis entra em disputa com um comboio, mulheres marcham sobre a vila a pedir pão para casa e trabalho para os homens, o balde do poço é um bem precioso e em risco, uma prisioneira ajuda um guarda a estudar, um camponês é levado algemado a um polícia-rapaz até uma esquadra que antigamente era uma sacristia, um moço (João Portela) e um velho (Aníbal) fazem-se ao caminho com esperança (dois, entre tantos, que procuram trabalho de terra em terra). No meio disto, Job, a terra de extrema pobreza, recebe o hóspede rico, o americano Capitão Gallagher (o especialista em armamento e em guerras, que aí ensaia as suas máquinas, à custa da colonização militar). No fim, uma das personagens materializa-se em Job, ficando como símbolo da miséria vivida neste período.

“Havendo esta estranheza perante o sofrimento, e não desprezo, os militares do conto de Aníbal não vêem na morte a razão do ofício ou a justificação natural do inimigo. («Inimigo? Que é dele, o inimigo?», acudiria aqui o cabo ferrador Três-Dezasseis no seu discurso da taberna do homem de luto.)
Não vêem, não aceitam. Mas Gallagher escrevia o seu relatório sem os ouvir. Devorando cigarros, correndo folhas sobre folhas, compunha o elogio dos bons soldados e a vitória das armas.
A páginas tantas, bebeu uma golada de whisky e veio à janela tomar alento. Lá em baixo, pregado num muro de cicatrizes, Job contemplava, com olhos mudos, o cair da tarde e os pássaros que saltitavam à sua volta.”
… (lisätietoja)
 
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inesaparicio | Jan 25, 2024 |
Mais do que o enredo em si, o que chama a atenção em “O Delfim”, de José Cardoso Pires, é a técnica narrativa, é o modo de narrar o desastre do Palma Bravo sem nome — simplesmente “o Engenheiro”.

Mas qual é a história?

O narrador - o próprio José Cardoso Pires —, também sem nome, chamado apenas de “caçador” ou “sr. Escritor”, retorna à Gafeira — localidade rural não muito distante de Lisboa — pretendendo participar da abertura da temporada de caça. Sim, caça de aves — patos, galeirões, cordonizes e outros tipos de emplumados que vivem na lagoa.

Mas, como disse, se trata de um retorno. Retorno porque o narrador já esteve no mesmo local, com a mesma finalidade, exatamente um ano antes.

E tudo no livro gira em torno desse retorno, dessa volta ao passado — recordação de pessoas e fatos que foram e mais não são.

O que motiva a recordação, no entanto, não é apenas a volta à Gafeira para uma nova temporada de caça na lagoa. É que, nesse meio tempo, ocorreu um desastre, verdadeira tragédia familiar. Domingos, serviçal do Engenheiro, foi encontrado morto na cama desse último. E Maria das Mercês, mulher do Palma Bravo, suicidou-se logo em seguida, afogando-se na lagoa. Tudo leva a crer que Domingos e Maria estavam dividindo a mesma cama quando, não se sabe bem como — e o narrador faz questão de não esclarecer —, Domingos teve um piripaque e partiu dessa para melhor.

O narrador-escritor-caçador toma pé desse fato assim que chega na Gafeira pela manhã. É um velho, o “velho cauteleiro”, coscuvilheiro malicioso, que o informa do acontecido.

A partir daí a narrativa ganha uma forma toda especial — e aqui o ponto alto do livro, na minha singela opinião.

Não é propriamente um flashback de tipo cinematográfico. É, na verdade, o esforço de recordação, de escavação da memória em busca de imagens, sensações, impressões, falas, conversas, paisagens, acontecimentos, pensamentos e detalhes dos mais variados que o narrador teria experimentado em seu contato — ainda que breve — com o Engenheiro, Maria das Mercês, Domingos e o próprio cenário da Gafeira com sua lagoa no ano anterior.

A narrativa construída por Cardoso Pires é maximamente realista. Todo esse conjunto de impressões vem à tona, não num bloco coeso e uniforme, mas fragmentariamente, em brumas, com lacunas, contornos fugidios e imprecisos.

Muitas vezes não fica totalmente claro se o narrador está se referindo ao presente, à sua segunda passagem pela Gafeira, ou se, pelo contrário, esta tratando de momentos vividos no ano anterior. Mas isso, passado um certo desconforto inicial na leitura, é rapidamente absorvido, não criando maiores obstáculos. Na verdade, esse detalhe faz com que a narrativa assuma maior realismo ainda, eis que é mesmo um esforço de rememoração, de retorno ao que foi experimentado um ano antes. E qualquer um de nós — é patrimônio comum — sabe que a memória quase sempre nos trai; que ela nunca nos entrega — a não ser em situações excepcionais — tudo exatamente o que queremos ou que precisamos.

Cardoso Pires desenha uma narrativa verossímil, realista, que transmite ao leitor a sensação de estar diante de um consciência que, em meio ao burburinho do ambiente em torno, forceja por recordar, relembrar, cenas e impressões a respeito de pessoas com as quais conviveu mas que, por força do destino, não estão mais aqui.

E Cardoso Pires faz isso — ponto importante para mim — sem cair, de um lado, na balbúrdia mental do fluxo de consciência, nem, por outro, na glossolalia existencialista.
Bom enredo, técnica narrativa interessantíssima, tudo realizado com arte, com talento. Cardoso Pires é um mestre e “O Delfim” uma jóia da literatura em língua portuguesa.
… (lisätietoja)
 
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Fernandosfjr | 1 muu arvostelu | Aug 11, 2016 |
José Cardoso Pires es una de las grandes figuras de la literatura contemporánea. En esta ocasión el objetivo de su mirada es Lisboa. La capital de Portugal, balcón sobre el gran océano, luminosa, enigmática, poblada de sombras, reyes antiguos, poetas noctámbulos, músicos, gatos, fabuladores, aparece ante nosotros como una fascinante caja de sorpresas, un cofre lleno de tesoros que sólo la prosa envolvente, irrepetible de Cardoso consigue desentrañar. Un viaje maravilloso y cómplice para los amantes de los buenos descubrimientos y de la mejor literatura.… (lisätietoja)
 
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BibliotecaUNED | 1 muu arvostelu | Jul 8, 2011 |
Bom livro. Avançado para a época em que foi escrito e que se veio a tornar um clássico e de leitura obrigatória.
 
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cunha1907 | 1 muu arvostelu | May 23, 2011 |

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